Os Boiadeiros na Umbanda

Salve todos os Boiadeiros

Chetúa, Bumba chetá meu boi, Chetúa.

Salve Nosso Senhor Jesus cristo

Salve Nossa Senhora da Guia.

Salve boiadeiro João estradeiro.

Os Boiadeiros, de um modo geral, utilizam chapéus de vaqueiros, laços de corda e chicotes de couro, são ágeis e costumam chegar aos terreiros com sua mão direita levantada, girando, como se estivesse laçando, esbravejando a inconfundível toada “êeeee boi” como se ainda estivessem tocando seu rebanho.

Os Boiadeiros
Estas entidades trabalham da mesma forma que os Caboclos na Umbanda.
Os Boiadeiros são entidades que representam a natureza desbravadora, romântica, simples e persistente do homem do sertão, “o caboclo sertanejo”. São os Vaqueiros, Boiadeiros, Laçadores, Peões, Tocadores de Viola. O mestiço Brasileiro, filho de branco com índio, índio com negro etc.
Os Boiadeiros representam a própria essência da mistura do povo brasileiro: nossos costumes, crendices, superstições e fé.
Ao amanhecer o dia, o Boiadeiro arrumava seu cavalo e levava seu gado para o pasto, somente voltava com o cair da tarde, trazendo o gado de volta para o curral. Nas caminhadas tocava seu berrante.
Dá mesma maneira que os Pretos-Velhos representam a humildade, os Boiadeiros representam a força de vontade, a liberdade e a determinação que existe no homem do campo e a sua necessidade de conviver com a natureza e os animais, sempre de maneira simples, mas com uma força e fé muito grande.
Segundo alguns estudiosos os Boiadeiros vêm dentro da linha de Oxossi. Mas também são regidos por Iansã, tendo recebido da mesma a autoridade de conduzir os eguns da mesma forma que conduziam sua boiada quando encarnados. Levam cada um (espírito) para seu destino, e trazem os que se desgarram (obsessores, quiumbas, etc.) de volta ao caminho do bem.

Relação Médium-Guia

A incorporação do Boiadeiro, quase sempre em homens, confere uma virilidade inusitada ao “aparelho” emprestando arrogância, valentia e muita alegria, alegria descompromissada com os interesses atuais. Seu andar gingado parece estar sempre à frente de um boi bravo. Brincalhão, gosta de improvisar trovas e dar música a algumas delas. Nunca se furta a dançar o samba de roda – sambangola – onde se mostra exímio dançarino que, além de agilizar a dança com parceiros físicos, se supera em trejeitos com parceiros astrais, tudo ao mesmo tempo! Gosta comedidamente das coisas certas: beber, fumar, namorar, trabalhar, descansar na rede ou na tarimba, cantar, improvisar repentes; acha que tudo pode ser feito, desde que a ninguém prejudique. É amigo leal de quem o recepciona e mantém com ele laços afetivos.

Força da natureza: apreciam a natureza campestre, cavalos, bois e aves. Despreocupados, confiam no Boiadeiro Maior – Zambi.

Expressão: másculo, jovial, valente, ingênuo, sincero, companheiro, alegre, festeiro, namorador, respeitador, trabalhador.

chetuá Meu amigo Boiadeiro!

Caracteristicas

Bebidas jurema, aluá, meladinha (cachaça, limão e mel), garapa, água de coco e aguardente de boa qualidade.Comidas secasrapadura, jabá (carne seca), camarões fritos, paçoca, rolete de cana, carne seca desfiada, melaço, torresmo, carne seca frita etc.Composição não tem estrutura organizada.Cora gosto da entidade.Cor da guia colar de couro, sementes, dentes de animais.Data comemorativa não possuem. Estão sempre nas giras de festivas de Caboclos ou quando solicitados.Dia da semana domingos e feriados.Ervas utilizadasconhecem um pouco sobre ervas curativas.Expressão másculo, jovial, valente, ingênuo, sincero, companheiro, alegre, festeiro, namorador, respeitador, trabalhador.Floresao gosto da entidade.Força da natureza apreciam a natureza campestre, cavalos, bois e aves. Despreocupados, confiam no Boiadeiro Maior – Zambi.Frutosao gosto da entidade.Hierarquia obedecem ao Guia-chefe do Templo onde estão arranchados e ao Boiadeiro-chefe.Indumentária gibão de couro, chibata, rebenque ou relho, corda, bota, avental de couro, calça e colete também de couro.Local preferido proximidade das propriedades rurais de criação de gado ou lavoura, nos rodeios onde peões se exibem.Mineral nada específico.Planeta admiram o Sol, a Luas e as Estrelas.Pontos cantados catalogados, existem mais de 190 pontos. Dezenas de outros estão perdidos, muitos improvisos não foram decorados ou gravados.Pontos riscadosnão tem.

Saudação“Xetro Marrumbaxetro ! Xetro Marrumbaxetro ! Xetro Marrumbaxetro !”, “Getruá ! Getruá ! Getruá !”

As bebidas oferecidas variam conforme a manifestação:

Boiadeiro nordestino – cerveja, cachaça , os dois em coité

Gaúcho – chimarrão em cuia própria

Pantaneiro – tererê , mate frio em chifre.

Cores velas: Vermelhas e marrom

Oração de Boiadeiro

Chetúa.

Meu amigo Boiadeiro! Tu que guia teu gado pelas porteiras dos caminhosde Ogum, que passa por rios, sob Sol e chuva com seu berrante aanunciar tu chegada, com teu chicote em punho, hábil com o laço e nãodeixa demanda criar ajuda-me nesta hora, abra as porteiras de meuscaminhos, traga no teu laço aqueles que me querem mal, que na suachibata haja justiça de minha causa. Que eu encontre em meus caminhos a solução pros meus pedidos.

A História de Pai Cipriano “Cipriano Quimbandeiro, chorou no cativeiro.

Hoje chora de alegria o Rosário de Maria. Chora, chora, saravando Angola…” Lá pelos meados do século XVIII, existiu um negro que foi escravizado pelos senhores brancos, que era conhecido pelo nome de Cipriano, o bruxo da senzala do sul.

E porque levava esse nome?  Cipriano foi escravizado na tenra idade, trabalhou nas roças de café, cana de açúcar e trigo de sol a sol por longos e longos anos.

Contudo, a noite na senzala, ele se empenhava com os mais velhos em aprender as magias, benzeduras e todas as coisas místicas com todos os negros mais velhos, que eram, cada um especialista em determinada coisa desse gênero.

E Cipriano, por ser extremamente dedicado ao que fazia, se apegou em todas as formas de magia e benzeduras, aprendia um pouco com cada um dos seus mestres negros.

E foi assim que se tornou um grande benzedor e entendedor de magias africanas, fazendo delas um ponto positivo para auxiliar a todos que delas necessitavam, e que ele procurava ajudar com toda a dedicação e carinho. Por esse motivo Cipriano ficou conhecido por toda região, como o negro que retirava espíritos sem luz, que curava com suas magias, que acalmava as dores com suas benzeduras, além de ser um dos mais entendidos sobre ervas e suas benevolências.

Nos dias de hoje Cipriano se apresenta como Entidade de Luz nos terreiros de Umbanda, onde trabalha na linha das Almas, sendo um Preto Velho muito solicitado pela sua atuação dentro do encaminhamento de obsessores e quebra de magia negra. Ele quando chega ao terreiro, muitas pessoas parecem temer por saber quem ele é, e o que ele representa na Umbanda.

Muitos assemelham esse Preto Velho com um bruxo, ou o senhor da cruz de caravaca, cruz essa que se é utilizada pelos senhores da alta magia. Mas Pai Cipriano é apenas uma bela Entidade de Luz, que foi abençoada por Deus, Pai Oxalá e todos os Orixás, para poder retornar como Entidade para auxiliar os necessitados, e isso ele faz extremamente bem. Uma característica desse Preto Velho e chegar nos terreiros de Umbanda de joelhos, ou arrastando uma das pernas ou mesmo as duas, e isso tem um motivo que faz parte de sua história na vida terrena, ainda como escravo.

Como foi dito nos meados do século XVIII , Cipriano era um negro escravizado, mas extremamente respeitado pela fama que corria a região, na qual dizia que ele era o bruxo das senzalas.

Essa fama não só trazia respeito para Cipriano, mas também trazia o carinho de seus irmãos negros, pois todos sabiam que além da fama de bruxo, ele tinha outra fama, de sempre fazer o possível e o impossível para auxiliar alguém que necessitava de sua ajuda, sendo nas magias e benzeduras simples, como a mais alta magia que por mais complicada e difícil de ser realizada, se fosse para curar, sanar mazelas, retirar obsessores, ou qualquer coisa que necessitasse da sua ajuda ele o faria, sem temer obstáculos.

Dentro desse pensamento, certa vez ele foi solicitado pelos pais de uma criança negra, que se esvairia em sangue, numa hemorragia sem motivo físico.

Os seus pais desesperados sem condição de procurar ajuda como sanar aquela hemorragia de seu pequeno filho, pois ao pedirem desesperadamente ajuda aos feitores, foram ameaçados de serem levados ao tronco. Diante do fato gravíssimo, um dos negros se lembrou das bruxarias e benzeduras que Cipriano fazia, e ao falar aos pais da criança, foram imediatamente pedir ajuda ao negro. Cipriano foi até a criança, que nesse momento já estava com a respiração pesada, olhos cerrados e perdendo sangue por entre orifícios. Cipriano, com galhos de arruda, guiné e benjoim, fez uma benzedura, fazendo com que a respiração da criança se acalmasse, e assim ele colocou as mãos abertas no peito do menino, fechou os olhos, como se examinasse a criança espiritualmente. Após alguns minutos em um transe profundo, Cipriano é jogado ao chão por uma força descomunal, que vinha do corpo da criança. Essa força invisível, faz com que Cipriano acordasse do transe, não deixando com que ele terminasse o tratamento espiritual sobre o menino.

Novamente ele tenta, e novamente acontece a mesma coisa. E nessa segunda tentativa ele pressente que ali existe muito mais que uma força que não aceita que ele tentasse curar a criança, mas algo demoníaco que obsediava o menino, tentando tomar conta de seu espírito ao ponto de induzi-lo a que sua alma o seguisse a escuridão eterna.

Ao sentir que a mazela do menino negro não era apenas um mal físico, Cipriano se fechou em oração junto a Pai Oxalá e aos Orixás, nos quais ele tinha extrema fé.

Dali ele tem uma visão das ervas que deveria utilizar para um banho que levaria aquela força do mal para longe do menino, e assim poderia, com sua benzedura e magia fazer com que ele tivesse êxito na cura do corpo físico, já tão debilitado.

Cipriano diz aos presentes que ficassem em oração, pois ele teria que ir as matas fechadas, em um local único, para apanhar as ervas e assim dar continuidade a cura do menino.

E assim foi feito. Cipriano se embrenhou pela mata, seguindo o caminho que lhe foi indicado por meio de visão espiritual. Cada vez mais distante da fazenda na qual estava a criança, Cipriano via a mata se fechando cada vez mais, chegando ao ponto de certos lugares ele ter que passar totalmente abaixado.

Enfim ele encontra o local indicado pela suas visões e no local todas as ervas necessárias para fazer o banho, o chá e as benzeduras para salvar a vida da criança.

Após recolher todas as ervas que necessitava, Cipriano tenta se apressar para chegar em tempo de salvar a pequena criança. E ao se embrenhar na mata novamente, ele sente que estava sendo observado, e logo em seguida consegue ver por quem. Um enorme vulto negro, rodeado de menores vultos da mesma negritude, começam a ficar ao seu redor tentando fazer com que Cipriano perdesse o rumo do caminho de retorno. Como ele se fixou no caminho, sem se deixar a ser induzido pelos maléficos vultos, continuou a caminhar, deixando assim o grande vulto negro com mais ódio ainda.

O grande vulto negro passa novamente por Cipriano, fazendo menção de ataque. E como novamente Cipriano não se deixou abalar, o vulto maior e negro reúne os demais comandados do mal tentando novamente atormentá-lo.

E enquanto os menores vultos vinham de todos os lados para cima de Cipriano, o vulto maior segue até um covil de cobras, fazendo com que a mais venenosa das serpentes ficasse em posição de bote para atacar o negro quando passasse por ali. E assim aconteceu, Cipriano foi atacado pela venenosa serpente, um ataque rápido e certeiro em sua perna esquerda, fazendo com que ele caísse já delirando de tanta dor pelo veneno que se espalhava.

Nesse instante Cipriano se lembra do pequeno menino, que era tomado pelos espíritos do mal, e ele se fechou em oração pedindo aos Orixás força para conseguir chegar a seu objetivo e assim curar a criança. Com sua fé grandiosa, juntamente com uma vontade descomunal, Cipriano busca forças, e olhando ao redor, nota que já não está mais sendo ameaçado pelos vultos negros.

Desse momento em diante ele se arrasta por meio da mata fechada, junto ao chão e as folhas e raízes que se sobressaiam por todas as fendas da terra. Cada vez mais cansado, com dores terríveis, já não sentindo suas pernas, uma pelo veneno da serpente e a outra pelo esforço extremo de levar seu corpo adiante, Cipriano desaba mais uma vez ao chão. Ele olha para o céu, clama por misericórdia, com olhos lacrimejados tentando buscar na sua fé a força que necessitava para seguir o caminho de volta. E nesse momento uma luz muito forte aparece diante de seus olhos, e dessa luz vem uma voz forte, mas serena, que lhe disse: “Cipriano, você tem nas mãos as ervas necessárias para acalentar sua dor física. Essas ervas podem curar sua perna ferida e envenenada pela serpente do mal. Basta pegar todas, e numa sequência esfregar uma a uma no local da picada, porém terá que usar todas as ervas que tens em mãos nesse momento.

Sabendo disso, você não terá como salvar o corpo físico da criança da morte, e consequentemente também não terá como salvar o espírito desse menino da escuridão na qual ele está sendo levado pelos espíritos sem luz, que estão nessa constante busca por esse menino por ele ser um espírito puro e iluminado, que virá no futuro ser um grande aliado do bem contra obsessores e kiumbas.

Você tem que usar seu livre arbítrio nesse momento, poderá usar as ervas para se curar, ou poderá arriscar sua vida e seguir em frente para salvar a vida e a alma do menino. Você poderia se curar e retornar em busca de mais ervas no localindicado, mas contudo não teria tempo hábil para retornar a tempo de salvar a vida da criança.” Ao fim dessas palavras a luz desapareceu da mesma maneira que apareceu.

Cipriano cerra os olhos, e os abre lentamente, olhando seu embornal com as ervas.

Olha também para suas pernas, a esquerda já com um grande edema, e a direita com feridas abertas por estar sendo arrastada pelo terreno tão danificado.

Cipriano fecha novamente os olhos, faz uma oração e segue seu caminho, rastejando por entre as folhas caídas, indo ao encontro do menino na senzala da fazenda.

Durante longo tempo ele se rastejou, até que se deparou com a pequena trilha que ligava a mata a fazenda.

Que para ele foi um alívio e uma vitória. Conseguiu chegar até a fazenda, e lá foi auxiliado pelos seus irmãos negros a ir até a senzala onde estava a criança. Chegando diante do menino, Cipriano rapidamente se pôs a fazer suas orações, suas benzeduras e suas mágicas curas por intermédio das ervas que tinha em mãos.

Delas também fez chás, e logo que se iniciou o trabalho de cura física e espiritual do menino, já pôde se observar uma melhora grandiosa. Quando Cipriano se aproximou do menino colocando suas mãos em seu peito para dar continuidade a limpeza dos obsessores, o grande vulto negro, visto na mata, apareceu diante dele, mas já sem forças, e foi conduzido para longe dali e do menino para sempre. A criança se recuperou rápido, deixando os seus pais eternamente agradecidos a Cipriano. Ele porém, após controlar o veneno que agia maleficamente em seu corpo, ficou com as pernas sem movimento, a esquerda pela picada da serpente, e a direita pelo esforço extremo que foi obrigado a fazer para chegar até a fazenda. Pai Cipriano desencarnou com mais de 80 anos.

E no dia de seu desencarne, ele, sabendo que estava chegando seu momento de partir da vida terrena, pediu aos negros que se reunissem em sua volta, e juntos fizessem orações aos Orixás, para que o recebesse de braços abertos, no local que Pai Cipriano chamava de “Paraíso dos Bruxos”.

Ao fazerem o que ele desejava, Pai Cipriano desencarnou nos braços do menino negro, que nessa época já era um homem feito, que ele salvou da morte e das garras de obsessores da escuridão.

Esse menino cresceu com um respeito grandioso por Pai Cipriano, tanto que ele seguiu os passos de seu mestre, e com ele aprendeu todas as benzeduras, mandingas e o domínio das ervas, sendo para curas físicas ou espirituais, e que mais tarde também, como seu mestre viraria uma Entidade de Luz trabalhadora da Umbanda, e levaria o nome de Pai José. E essa é a história de nosso Preto Velho Pai Cipriano, como ele ficou conhecido, como ele salvou da morte Pai José, ainda na tenra idade.

Saravá Pai Cipriano, o grande mestre em retirar eguns, kiumbas e espíritos zombeteiros de pessoas obsediadas por esses espíritos malignos. Adorei as Almas!

Adorei Pai Cipriano!

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