Características dos filhos de Oxumaré

Características dos filhos de Oxumaré

Seus filhos, assim como conta a lenda de Oxumarê, em sua maioria no início passam por muitas dificuldades, quase miseráveis, porém mais tarde, dando a grande volta em seu caminho, se tornando ricos, poderosos, e muitas vezes orgulhosos.

Porém, nunca se negam a ajudar quando alguém realmente precisa deles.

E não raro, é ver um filho de Oxumaré se desfazer de algo seu, em favor dos necessitados, com a maior facilidade, contrapondo seu estado de orgulho e ostentação, a exibir sua riqueza.

Nessa fase estão no arco-íris, a fase mais doce e sincera que possuem.

São pessoas de temperamento fácil de se lidar estando calmas, porém; se tornam terríveis quando com raiva, representando nesse estado a serpente, que vem trazendo o lado negativo de Oxumaré, o seu lado mais perigoso, que é a falsidade e a perversidade.

São pessoas pacientes e obstinadas na luta pelos seus objetivo e não medem sacrifícios para alcançá-los.

Tudo muda em suas vidas: os amigos, os romances, as cidades que moram. Gostam de mudanças e quando a fazem, se tronam radicais.

Podem desenvolver a bissexualidade, pois faz parte da característica deste orixá, que é 6 meses homem e 6 meses mulher, não que seus filhos tenham os dois sexos, mas que podem gostar e sentir atração por homem e mulher, de forma natural.

A filha de Oxumaré é do tipo mulher fatal, adora badalações, festas, jóias e tudo que é caro.

Descontraída e muito divertida, sempre com alto astral ela vive em movimento constante.

Qualquer prazer a diverte e por isto mesmo conquistar uma filha deste orixá é tarefa difícil.

Geralmente são pessoas muito livres, não suportam serem controladas e não sentem o menor ciúme do parceiro.

Já os homens filhos do Oxumaré são fascinantes, aqueles que todos cobiçam em uma festa, mas são difíceis de conquistar.

Sabem que marcam presença, discutem sobre qualquer assunto muito bem.

Pelo sexo que é possível prender os filhos desse orixá que são muito livres e não gostam de parceiras ciumentas.

Oxumaré é um Orixá bastante cultuado no Brasil, apesar de existirem muitas confusões a respeito dele, principalmente nos sincretismos e nos cultos mais afastados do Candomblé tradicional africano como a Umbanda.

A confusão começa a partir do próprio nome, já que parte dele também é igual ao nome do Orixá feminino Oxum, a senhora da água doce.

Oxumaré é uma das diferentes formas e tipos de Oxum, mas na Umbanda e no Candomblé tradicional tal associação é absolutamente rejeitada.

São divindades distintas, inclusive quanto aos cultos e a origem.

Apesar de muitos Babalorixás não aceitarem, tem seu sincretismo católico como São Bartolomeu.

É representado pelo arco-íris que, segundo algumas lendas é a ponte que possibilita que as águas de Oxum sejam levadas ao castelo no céu de Xangô.

Por essa lenda, é atribuído a Oxumaré o poder de regular as chuvas e as secas, já que, enquanto o arco-íris brilha, não pode chover.

Ao mesmo tempo, a própria existência do arco-íris é a água está sendo levada para os céus em forma de vapor, onde então se aglutinará em forma de nuvem, passará por nova transformação química recuperando o estado líquido e voltará á terra sob essa forma, recomeçando tudo de novo: a evaporação da água, novas nuvens, novas chuvas, etc.

Uma interpretação antropológica mais cuidadosa, porém, pode questionar a validade dessas lendas.

Não podemos nos esquecer de que tanto na África, como especialmente no Brasil, a população negra, que trazia consigo, todos esses mitos, foi continuamente assediada pela colonização branca.

Uma das formas mais utilizadas por jesuítas para convencer os negros, era a repressão física, mas para alguns, não bastava o medo de apanhar.

Eles queriam a crença verdadeira e, para isso, tentaram explicar e codificar a religião do Orixás segundo pontos de vista cristãos, adaptando divindades, introduzindo a noção de que os Orixás,seriam santos como os da Igreja Católica, etc.

Essa busca objetiva do sincretismo sem dúvida foi esbarrar em Oxumaré e na cobra – e não há animal mais peçonhento, perigoso e pecador do que ela na mitologia católica (recordar os mitos de Adão e Eva, a maçã, a concepção de pecado original, etc.).

Por isso, não seria difícil para um jesuíta que acreditasse sinceramente nos símbolos de sua visão teológica. Reconhecer na cobra mais um sinal da presença dos símbolos católicos na religião do Orixás e nele reconhecer uma figura que só poderia trazer o mal.

Essa, pelo menos, é uma das interpretações feitas por pesquisadores que compararam diferentes versões dos mesmos mitos que não encontraram uma divisão absoluta entre bem / arco-íris (ou masculino) e mal / cobra (ou feminino).

Na verdade, o que se pode abstrair de contradições como as que apresentam Oxumaré é que este é o Orixá do movimento, da ação, da eterna transformação, do contínuo oscilar entre um caminho e outro que norteia a vida humana.

É o Orixá da tese e da antítese. Por isso, seu domínio se estende a todos os movimentos regulares, que não podem parar, como a alternância entre chuva e bom tempo, dia e noite, positivo e negativo.

Conta-se sobre ele que, como cobra, pode ser bastante agressivo e violento, o que o leva a morder a própria cauda. Isso gera um movimento moto-contínuo ,pois, enquanto não largar o próprio rabo, não parará de girar, sem controle. Esse movimento representa a rotação da Terra, seu translado em torno do Sol, sempre repetitivo.

Todos os movimentos dos planetas e astros do universo, regulados pela força da gravidade e por princípios que fazem esses processos parecerem imutáveis, eternos, ou pelo menos muito duradouros se comparados com o tempo de vida médio da criatura humana sobre a terra, não só em termos de espécie, mas principalmente em termos da existência de uma só pessoa.

Se essa ação terminasse de repente, o universo como o entendemos deixaria de existir, sendo substituído imediatamente pelo caos. Esse mesmo conceito justifica um preceito tradicional , que diz que : É necessário alimentar e cuidar de Oxumaré muito bem pois, se ele perder suas forças e morrer, a consequência será nada menos que o fim da vida no mundo.

Enquanto o arco-íris traz a boa notícia do fim da tempestade, da volta do sol, da possibilidade de movimentação livre e confortável, a cobra é particularmente perigosa para uma civilização das selvas, já que ela está em seu hábitat característico, podendo realizar rápidas incertas.

Outra fonte de indefinição a respeito do Orixá vem das contradições existentes em suas lendas no Brasil e na própria África: Oxumaré é uma divindade originária da cultura do Daomé, região centro-norte da África.

Há séculos tal civilização foi dominada pelos iorubas, povo mais primitivo no sentido de organização social e visão religiosa, mas, em compensação, mais poderoso em termos de organização militar.

Como aconteceu com Roma e Grécia, a dominação de uma sociedade menos rica em produções culturais ou no terreno da superestrutura em geral fizeram com que os mitos dos daomeanos não fossem apenas reprimidos, pelo contrário, os iorubas não tentaram impor sua cultura ao povo dominado.

Ficaram na verdade impressionados com sua cosmologia e tentaram assimilá-la, principalmente nas figuras que não fossem formas semelhantes a divindades que também possuíssem.

Oxumaré foi um desses casos.

O princípio da dualidade dos iorubas fazia parte dos Orixás-crianças (Ibeji) – A dualidade que eles representam, porém, é mais próxima do comportamento contraditório e irresponsável em termos ético das crianças, ainda não reprimidas pela codificação social.

Já a dualidade de Oxumaré é mais abrangente e até mesmo metafísica, pois representa os ciclos que não estão ao alcance do ser humano.

Oxumaré, Iroco, Omolu, Obaluaê e Nanã, os Orixás do Daomé mais conhecidos e cultuados, castigam quando dispostos ou provocados, mas raramente se arrependem e não possuem as falhas humanas, visíveis e humanizadas das figura do panteão ioruba.

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