Características dos filhos de Omulu

Características dos filhos de Omulu

Os filhos de Omulu são insatisfeitos, nada está completamente bom para eles.

Enxergam primeiro sempre o lado ruim. São de uma teimosia sem limites.

Com a resposta sempre na ponta da língua, não levam desaforo para casa.

São muito discretos, sem grandes ambições e muitos dados ao trabalho.

Às vezes são pessoas doces. Têm forte tendência a doenças de pele, rosto e pernas.

Gostam de tudo certo, no lugar, de ordem e, principalmente, de maneira planejada.

São pessoas de estatura pequena ou média e de pouca beleza exterior.

Os filhos de Omulu são tensos, sábios e tristes. Costumam ser consultados para decisões importantes e, não raro, vivem solitários.

Ocupam importantes cargos públicos e burocráticos, mas sentem que o bom humor não é seu forte.

Os filhos de Omulu têm o dom de curar, revelando-se grandes médicos e dedicando a vida à caridade, mas devem ter o cuidado especial com a saúde, visto que são propensos a sofrer com doenças de pele e problemas nas pernas e colunas.

São sempre inclinados a socorrerem os fracos e os doentes. Gostam de lugares noturnos e de viver isoladamente. De um modo geral são de caráter doentio. São vias de regra da casa, de sonhos enfadonhos, são sinceros e não recuam nas decisões que tomam.

Geralmente de algum defeito físico, tem algum sinal aparente.

Os filhos de Omulu são pessoas sérias, muito misteriosas e um tanto discretas.

Costumam ter poucos amigos, porém conhecem muita gente pelos relacionamentos profissionais que estabelece ao longo de suas vidas.

Muitos consideram que os filhos de Omulu aparentam ter mais idade do que verdadeiramente possui, isso porque, além de serem pessoas bastante caseiras, são tímidas e introspectivas.

Vivem em seu mundo. Tudo o que traz algo de oculto e místico atrai os filhos de Omulu.

Gostam de estudar coisas misteriosas, meditação, banhos de cheiro, enfim, tudo o que mexa com as forças do universo, faz parte de sua vida. São admirados pelo seu grande poder de decisão.

Diante de um problema não se deixam abalar. Analisam tudo muito bem e mesmo quando todos dizem que não vai dar, eles encontram a solução.

Os regidos por Omulu levam suas vidas amorosas com discrição.

Não gostam de pular de galho em galho.

Geralmente namoram pouco tempo e se casam.

Não acreditam em alma gêmea, e sim em companheirismo e cumplicidade.

Para eles, ter uma pessoa disposta a viver tudo ao seu lado com respeito e tolerância vale mais do que viver uma louca paixão.

Isso não quer dizer que não sejam românticos, mas preferem se dedicar carinhosamente para a pessoa escolhida a fantasiar alguém e uma relação que talvez nunca vá se concretizar.

Não gastam seus tempos preocupados com traição ou ciúme.

Confia em quem ama e ponto final.

Se por algum motivo forem traídos, darão uma chance para explicações, mas dificilmente perdoarão o fato.

Por mais felizes que estejam com seu relacionamento, existem momentos em que sentem profunda tristeza e precisam ficar sós. Isso passa a impressão à pessoa amada de que não está feliz ao seu lado, porém essa crise vem porque se envolvem com os problemas do mundo e não podendo ajudar acabam sofrendo.

É no trabalho que se realizam por completo.

Gostam de estar fazendo algo, de planejar novos caminhos, de criar novas soluções, por isso devem trabalhar na área de administração, engenharia, economia e política, fazem os filhos de Omulu se destacar.

São ambiciosos e tudo o que fazem é pensando no dinheiro que poderá ganhar, no conforto que desejam ter.

Não costumam confiar muito em colegas de trabalho, por isso mantém uma relação fria e distante com eles.

Quando tem posição de comando, essa situação se intensifica e os filhos de Omulu podem trabalhar quase isolados. Apesar disso, quando trabalham em equipe, surpreendem pela facilidade com que passam seus conhecimentos e pelo verdadeiro desejo de ajudar.

Não são egoístas e confiam demais em seu talento.

Os filhos de Omulu, apesar de parecerem pessoas distantes, seguras de si e uns tanto insensíveis, guardam uma tempestade de sentimentos que, muitas vezes, não conseguem colocar para fora.

Reprimem-se tanto que podem acabar sofrendo por depressão.

Precisam buscar meios de liberar essa tensão e esportes como artes marciais são umas boas.

Fazer teatro também pode ajudar, pois fará com que trabalhem todos os tipos de sentimentos.

Os sentimentos fortes de amor e solidariedade podem se transformar em energia de cura através de suas mãos.

Não devem ter medo de soltar seus sentimentos num trabalho assim e verão sua luz brilhar.

Lendas de Omulu

Lendas de Omolu


Xapanã ganha o segredo da peste na partilha dos poderes
Olodumarê, um dia decidiu distribuir seus bens.
Disse aos seus filhos que se reunissem e que eles mesmos repartissem entre si as riquezas do mundo. Ogum, Exú, Orixá Ocô, Xangô, Xapanã e os outros orixás deveriam dividir os poderes e mistérios sobre as coisas na Terra.
Num dia em que Xapanã estava ausente, os demais se reuniram e fizeram a partilha, dividindo todos os poderes entre eles, não deixando nada de valor pra Xapanã. Um ficou com o trovão, o outro recebeu as matas, outro quis os metais, outro ganhou o mar. Escolheram o ouro, o raio, o arco-íris; levaram a chuva, os campos cultivados, os rios.
Tudo foi distribuído entre eles, cada coisa com seus segredos, cada riqueza com o seu mistério. A única coisa que sobrou sem dono, desprezada, foi a peste. Ao voltar, nada encontrou Xapanã para si, a não ser a peste, que ninguém quisera.
Xapanã guardou a peste para si, mas não se conformou com o golpe dos irmãos. Foi procurar Orunmilá, que lhe ensinou a fazer sacrifícios, para que seu enjeitado poder fosse maior que o do outros. Xapanã fez sacrifícios e aguardou.
Um dia, uma doença muito contagiosa começou a espalhar-se pelo mundo. Era a varíola. O povo, desesperado, fazia sacrifícios para todos o orixás, mas nenhum deles podia ajudar. A varíola não poupava ninguém, era uma mortandade. Cidades, vilas e povoados ficavam vazios, já não havia espaço nos cemitérios para tantos mortos. O povo foi consultar Orunmilá para saber o que fazer. Ele explicou que a epidemia acontecia porque Xapanã estava revoltado, por ter sido passado para trás pelos irmãos. Orunmilá mandou fazer oferendas para Xapanã. Só Xapanã poderia ajudá-los a conter a varíola, pois só ele tinha o poder sobre as pestes, só ele sabia os segredos das doenças.
Tinha sido essa sua única herança. Todos pediram protecção a Xapanã e sacrifícios foram realizados em sua homenagem. A epidemia foi vencida. Xapanã então era respeitado por todos. Seu poder era infinito, o maior de todos os poderes.
Lenda tirada do livro
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

Obaluaê conquista Daomé
Um dia Obaluaiyê saiu com seus guerreiros, ia em direcção à terra dos mahis, no Daomé. Obaluaiyê era conhecido como um guerreiro sanguinário, atingindo a todos com as pestes, quando estes se opunham a seus desejos.
Os habitantes do lugar, quando souberam de sua chegada, foram em busca de ajuda de um adivinho, ele recomendou que fizessem oferendas, com muita pipoca, inhame pilado, dendê e todas as comidas de que o guerreiro gostasse, pipocas acalmam Obaluaiyê, disse que seria aconselhável que todos se prostrassem diante dele, assim o fizeram.
“Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô!”
“Respeito! Silêncio!”
Obaluaiyê, satisfeito com a sujeição daquele povo, os poupou declamou que a partir daquele dia viveria naquele reino, assim o fez e em pouco tempo o país tornou-se próspero e rico.
Obaluaiyê recebeu nas terras mahis o nome de Sapatá, mesmo assim era preferível chamá-lo de Ainon, senhor das Terras, ou Jeholu, senhor das pérolas.
Esses diferentes nomes foram adoptados por famílias importantes, mas infelizmente provocaram desentendimentos entre elas e os reis do Daomé. Muitas vezes as famílias de Sapatá foram expulsas do reino e, em represália, muitos reis daomeanos morreram de varíola.
Tanta discórdia provocou seu nome, que hoje ninguém sabe mais qual o melhor nome para se chamar Obaluaiyê.
Lenda tirada do livro
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

Omolú ganha pérolas de Iemanjá
Omolú foi salvo por Iemanjá quando sua mãe, Nanã Buruku, ao vê-lo doente, coberto de chagas, purulento, abandonou-o numa gruta perto da praia.
Iemanjá recolheu Omolú e o lavou com a água do mar, o sal da água secou sua feridas, Omolú tornou-se um homem vigoroso, mas ainda carregava as cicatrizes, as marcas feias da varíola.
Iemanjá confeccionou para ele uma roupa toda de ráfia, e com ela ele escondia as marcas de suas doenças, ele era um homem poderoso, andava pelas aldeias e por onde passava deixava um rastro ora de cura, ora de saúde, ora de doença, Mas continuava sendo um homem pobre.
Iemanjá não se conformava com a pobreza do filho adoptivo, Ela pensou:
“Se eu dei a ele a cura, a saúde, não posso deixar que seja sempre um homem pobre”. Ficou imaginando quais riquezas, poderia da a ele.
Iemanjá era a dona da pesca, tinha os peixes, os polvos, os caramujos, as conchas, os corais, tudo aquilo que dava vida ao oceano pertencia a sua mãe, Olocum, e ela dera tudo a Iemanjá.
Iemanjá resolveu então ver suas jóias tinha algumas, mas enfeitava-se mesmo era com algas, ela enfeitava-se com água do mar, vestia-se de espuma, ela adorava-se com o reflexo de Oxu, a Lua.
Mas Iemanjá tinha uma grande riqueza e essa riqueza eram as pérolas, que as ostras fabricavam para ela. Iemanjá, muito contente com sua lembrança, chamou Omolú e lhe disse:
“De hoje em diante, és tu quem cuidas das pérolas do mar. Serás assim chamado de Jeholu, o Senhor das Pérolas”.
Por isso as pérolas pertencem a Omolú, por baixo de sua roupa de ráfia, enfeitando seu corpo marcado de chagas, Omolú ostenta colares e mais colares de pérola, belíssimos colares.
Lenda tirada do livro
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Prandi – 2001

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