cambone na Umbanda

A importância do cambone no terreiro

por Guilherme Euler · 03/09/2014


O cambone é uma espécie de supervisor geral que deverá ficar sempre atento à tudo que acontece dentro do terreiro

O cambone é, sem sombra de dúvidas, uma das funções mais importantes dentro de um terreiro de Umbanda pois o cambone pode ser comparado à um supervisor de todo o funcionamento da casa. Dentre as atribuições de um cambone, posso citar:

Recepção e organização da assistência;
Preparativos iniciais para o começo dos trabalhos;
Acompanhamento dos médiuns de incorporação durante todo o trabalho;
Ser responsável pelos pertences que os médiuns de incorporação devem levar para suas entidades;
Tirar dúvidas e servir como facilitador da consulta entre a entidade e o consulente;
Acompanhamento geral de tudo que está sendo feito dentro do terreiro.

Antes de iniciar a corrente, todos os filhos da casa, incluindo médiuns e cambones, devem cuidar da preparação do terreiro em si, tarefas como a limpeza do terreiro, conferir se as velas estão todas acesas e bem posicionadas e, em algumas casas, a organização das cadeiras onde a assistência ficará à espera do atendimento.

O cambone então será o responsável por receber a todos da assistência e, em alguns casos, distribuir as senhas de atendimento e conduzir a assistência à seus locais de espera.

Bem como conduzi-los à entidade que irá proceder com seu atendimento após o início dos trabalhos.

Iniciando-se os trabalhos do terreiro, os cambones serão então designados à acompanhar os médiuns de incorporação durante todo o trabalho, agindo como um facilitador, para que os consulentes compreendam de forma correta tudo que as entidades estão falando e, em alguns casos, anotar para os consulentes o que for solicitado pela entidade.

Durante toda a consulta o cambone deverá permanecer atento não só à conversa entre o consulente e à entidade, mas, principalmente, prestar atenção ao consulente e saber se o consulente está de fato entendendo da forma correta o que a entidade está querendo passar para ele. Cabe ao cambone o discernimento para, quando necessário, interromper e explicar da melhor forma para que consulente realmente entenda tudo que a entidade está falando.

O cambone também será o responsável por manter sempre os materiais de trabalho das entidades organizados de forma que nunca falte nada à entidade.

Atenção: Não é, de forma alguma, dever de um cambone comprar os materiais de trabalho das entidades como bebidas, cigarros, charutos, fumo, cachimbo e outros apetrechos de trabalho da entidade. Essa responsabilidade é exclusivamente dos médiuns de incorporação e não devem ser transferidas à ninguém.

É claro que se o cambone ou qualquer pessoa desejar oferecer um presente à entidade, nada os impede que se faça isso, mas não confunda presentear a entidade com manter seus pertences de trabalho sempre em dias.

Uma outra tarefa atribuída ao cambone é, sem sombra de dúvida, a mais importante durante todo o trabalho e, obviamente, é a mais chata de ser cumprida.

É o cambone que deve estar atento ao que a entidade está dizendo ao consulente e, caso a entidade esteja passando dos limites ou falando coisas sem muito sentido, é dever do cambone interromper a conversa e chamar imediatamente o(a) dirigente do terreiro e reportar à ele(a) o que está acontecendo e como está acontecendo.

Por este motivo, é imprescindível que o cambone tenha conhecimentos necessários para saber quando a incorporação do médium de incorporação está firme ou, em casos extremos (e nem por isso menos incomuns), se o médium está ali apenas fingindo.

Infelizmente isso pode acontecer e é de extrema importância que não só os cambones, mas todos estejam sempre muito atentos à este fato.

Note, porém, que um cambone não é necessariamente uma peça fixa dentro de um terreiro.

Um médium de incorporação que não está se sentindo bem o suficiente para trabalhar em determinados dias ou que esteja impedido de fazer isso por alguma razão, deverá trabalhar no terreiro como cambone, auxiliando nos trabalhos como tal.

Após o fechamento da gira, a organização do terreiro não é de responsabilidade apenas do cambone, mas de todos que estão ali presentes. Todos devem ajudar na organização final, independente de sua posição dentro do terreiro.

Preto Velho

Sou preto. Negro como a noite sem estrelas.

Sou velho. Velho como as vidas de meus irmãos.

Mas se sou ainda negro, é porque trago em mim as marcas do tempo, as marcas do Cristo. Essas marcas são as estrelas de minha alma, de minha vida.

Sou negro. Mas a brancura do linho se estampa na simplicidade do meu olhar, que tenta ver apenas o lado bonito da vida.

Sou velho, sim. Mas é na experiência da vida que se adquire a verdadeira sabedoria, aquela que vem do Alto. Sou velho. Velho no falar; velho na mensagem, velho nas tentativas de acertar.

A minha força, eu a construí na vida, na dor, no sofrimento. Não no sofrimento como alguns entendem, mas naquele decorrente das lutas, das dificuldades do caminho, da força empreendida na subida.

A força da vida se estrutura nas vivências. É à medida que construímos nossa experiência que essa força se apodera de nós, nos envolve e nós então nos saturamos dela. É a força e a coragem de ser você mesmo, do não se acovardar diante das lutas, de continuar tentando.

Sou forte.

Mas quando me deixo encher de pretensões, então eu descubro que sou fraco. Quando aprendo a sair de mim mesmo e ir em direção ao próximo, aí eu sei que me fortaleço.

Sou andarilho.

Eu sou preto, sou velho, sou humano. Sou como você, sou espírito. Sou errante, aprendiz de mim mesmo.

Na estrada da vida, aprendi que até hoje, e possivelmente para sempre, serei apenas o aprendiz da vida.

Pelas estradas da vida eu corro, eu ando.

Tudo isso para aprender que, como você, eu sou um cidadão do universo, viajor do mundo. Sou um semeador da paz.

Sou preto, sou velho, sou espírito.

Pai João de Aruanda (psicografia de Robson Pinheiro em seu livro Sabedoria de Preto Velho – ed. Casa dos Espíritos)

***

Para quem é espírito, ser preto ou branco, velho ou jovem, é tudo uma questão secundária…

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